quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A eficácia da ação dos comunistas nos dias atuais

* Maurilio Nogueira da Silva


É comum as pessoas chamarem hoje os comunistas de “dinossauros” ou “pessoas que malham em ferro frio” ou não percebem que sua ação não tem mais nenhuma eficácia no mundo atual. Os donos do poder impõem a idéia de que o capitalismo globalizado é o “fim da história” e que não nos resta outra alternativa senão nos adequarmos a ele.

Por um lado, é verdade que não está na ordem do dia nenhuma tomada do poder político e econômico pela classe trabalhadora. No entanto, por outro lado, a ação dos comunistas se assemelha à do cloro diluído na água potável. Normalmente, não nos damos conta da sua presença ou ausência na água, a não ser quando seu gosto ou cheiro sobressai ou quando ingerimos uma água que nos faça algum mal. No dia a dia tomamos a água na fé de que ela esteja potável sem nos importarmos com o cloro que ali está para fazer seu trabalho purificador. Assim também os comunistas, no dia a dia, vão diluindo na sociedade suas idéias de justiça e de igualdade de oportunidades para todos, muitas vezes sem que sua ação se faça notar. Os que acreditam numa nova sociedade prosseguem seu trabalho em várias frentes, mesmo em tempos de descrença numa revolução. Nossa existência e nossa ação muitas vezes só são notadas nos períodos eleitorais quando levamos nossas bandeiras à rua. Mas, assim como o cloro na água, estamos presentes sempre na sociedade, fazendo a diferença, mesmo que de modo imperceptível,

Os comunistas sabem que uma nova sociedade é necessária e possível, mas não é obra de um decreto, uma eleição, ou uma tomada instantânea do poder econômico e político por uma vanguarda, como imaginam os voluntaristas.As revoluções pressupõem sempre um longo trabalho de amadurecimento de condições objetivas e de diluição na sociedade – muitas vezes em gotas homeopáticas – dos princípios que devem nortear a sociedade que desejamos ver nascer um dia. A revolução Cubana, por exemplo, não se resume num ato de tomada do poder por “três barbudos”
( Fidel, Raul e Chê), como muitos pensam. Ela resultou de um trabalho prévio de décadas de toda uma população que nela acreditou e que continua a sustentá-la para que não se a perca.

Por essa razão, penso que a questão não é perguntar se a ação dos comunistas está tendo alguma eficácia, mas onde a humanidade – e mais precisamente a classe trabalhadora - estaria se os comunistas não existissem. As conquistas sociais de hoje podem parecer insignificantes ou mesmo serem consideradas dádivas do capital aos trabalhadores, mas na verdade são “concessões” dos poderosos que aceitam ceder no interior da ordem para evitar que se mude a ordem. Nossa tarefa é insistir fazendo o possível e acreditando que “no se puede dar como limosna lo que a gente pertenece por justicia” (1).



(1). “Não se pode dar como esmolas o que a gente pertence por justiça” ( José M. Bárcenas, médico cubano)

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* Professor da UFJF ( maio de 2006)
E. Mail: nmaurilionogueira@yahoo.com.br

Um comentário:

Unknown disse...

Maurilio,
Deixei -lhe um email pois pediu-me que entrase em contato. Favor verificar
Obrigada Luana Ruas