quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Dez Teses sobre a Escola que Queremos

Maurílio Nogueira da Silva, prof. da UFJF.

Nossas experiências como educador, há mais de três décadas, nos levam a defender as seguintes teses sobre a escola que queremos:


1. Nem a escola tradicional, centrada no educador e nos conteúdos transmitidos unilateral e dogmaticamente aos alunos, nem a escola moderna ou liberal, que se diz centrada no educando e que secundariza a transmissão de conhecimentos, entendendo que estes se produzem dentro dela, mas uma escola que não privilegia ou não coloca no centro nenhum dos componentes da educação, mas uma escola que leva os alunos a dominar o saber acumulado pela humanidade, entendendo que o saber se produz na vida e é resultado de um contexto sócio-histórico e não verdades imutáveis ou dogmas;

2 . Nem um a escola que sacia os alunos de conhecimentos a ponto de eles saírem dela sem fome de saber mais, nem a escola que se nega a matar a fome de saber dos alunos, mas uma escola que procura criar nos educando uma atitude de permanente insaciamento, a fim de que eles desejem aprender sempre mais dentro e fora dela;

3 . Nem uma escola que não parte da realidade dos alunos, com sua faixa etária, sua cultura e suas necessidades imediatas, nem uma escola que não leva os alunos para além da sua realidade próxima, mas uma escola que parte de onde os alunos estão e os prepara para vôos mais altos;

4 . Nem uma escola onde os educandos têm medo do educador, nem
uma escola onde o educador tem medo dos educandos, mas uma
escola onde o medo seja substituído pelo diálogo e pelo respeito de
todos por todos;

5 . Nem uma escola tradicional autoritária, que pratica a pedagogia do castigo, nem uma escola moderna liberal, que não coloca limites aos educandos, mas uma escola democrática que exerce autoridade com justiça.

6 . Nem uma escola que se julga ser boa porque reprova, nem a
escola que pratica a aprovação automática, mas uma escola que
procura os meios eficientes para que seus alunos sejam
aprovados de verdade;

7. Nem uma escola fechada, que pratica a exclusão, nem uma escola aberta, que pratica uma inclusão de aparência, sem buscar meios para ser eficiente, mas uma escola que faz a verdadeira inclusão dos alunos com necessidades especiais, com competência e responsabilidade;

8. Nem uma escola que privilegia o saber apropriado pelaselites,
nem uma escola que aceita sem críticas o saber das massas, mas
uma escola que valoriza todo saber que é patrimônio de todo o
povo
.

9. Nem uma escola onde a Direção determina verticalmente o que os professores devem fazer, nem uma escola onde cada professor decide sozinho o que fazer, mas uma escola onde existe um projeto pedagógico e político coletivamente construído e este orienta o trabalho de todos.

10.Nem uma escola conservadora, que não aceita novidades, nem uma escola que vive de modismos, mas uma escola que assimila criticamente as inovações que lhe são apresentadas.

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