30 REVISTA FÉ E RAZÃO
Por Maurílio Nogueira da Silva
“É PRECISO ABANDONAR A PREOCUPAÇÃO EM SER APENASBEM INFORMADO, INTERESSANTE OU RACIONAL. MUITAS VEZES, NECESSITAMOS CALAR E ESCUTAR”
Na minha trajetória de estudioso de filosofia há quase trinta anos, estou sempre
retornando ao tema da religião e da espiritualidade.
A cada leitura, troca de idéias e experiências
de vida vou fazendo novas descobertas
nesse tema. Sempre que posso,
gosto de passear pelas idéias de
Hegel, Feuerbach, Marx, Engels,
Nietzche, Teilhard de Chardin,
Erich Fromm, Rubem Alves, Frei
Betto, Leonardo Boff e outros pensadores,
procurando entender suas convergências
e divergências. Sinto que a espiritualidade
está presente em todos eles, mesmo que de um
modo diferente. Isso me leva a concluir que ela é
um componente do ser humano, assim como o
oxigênio é um componente da água.
O cérebro e a percepção de Deus
Hoje, li um artigo de Vince Rause, colaborador do
neurocientista Andrew Newberg no livro Why God
won’t away (Por que Deus não vai embora), publicado
na Revista Seleções Reader’s Digest, de abril de
2002, que me chamou a atenção.
Gostaria de destacar algumas indagações e afirmativas
e conclusões de Vince no referido artigo. Ele inicia
se perguntando “por que numa era da razão, a religião
prospera?” – E constata que “não é simplesmente
possível bloquear a existência de Deus com o pensamento,
pois os sentimentos religiosos provêm muito
mais da experiência do que do pensamento. Eles nascem
num momento de conexão espiritual, tão real para
o cérebro quanto qualquer percepção de uma realidade
física”. Continuando, indaga Vince: “Isso quer
dizer que Deus não passa de uma percepção gerada
pelo cérebro ou que a fiação do cérebro foi
projetada para experimentar a realidade de
Deus?” E Newberb, responde afirmativamente
para a segunda colocação.
A transcendência
Em outra passagem do texto,
ele fala das experiências dos místicos
e afirma que “uma experiência mística
não é uma ascensão mágica a um paraíso
distante. É uma epifania silenciosa de que o milagroso
e o mundano são um só e o mesmo, e se
encontram bem diante dos nossos olhos”. Mais
à frente ele afirma que “a realidade é uma
questão de grau – o que parece mais real é
real. Os místicos tendem a experimentar esse
estado transcendental como mais real do que a
realidade comum”. E termina citando Albert Eistein
quando diz que “a mais bela experiência que podemos
ter é a do mistério. Ele é a emoção fundamental
que está no berço da verdadeira ciência. Quem
não sabe se surpreender e se maravilhar, está praticamente
morto”. Finalmente, conclui Vince “não
posso afirmar que tenha encontrado a religião. Mas
me dei conta de que os maiores e mais fascinantes
mistérios devem ser saboreados e não solucionados.
O mistério está presente em toda parte, só preciso
ter humildade no coração e prestar a atenção. Decidi
abandonar a preocupação em ser apenas bem
informado, interessante ou racional. Me dei conta
de que muitas vezes é preciso calar e escutar”.
sábado, 27 de dezembro de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)