sábado, 29 de agosto de 2009

Saúde como equilíbrio psicossomático

* Maurilio Nogueira da Silva

Numa visão mais ampla do que seja a saúde, podemos dizer que estamos saudáveis quando temos um bom equilíbrio psicossomático, ou quando nosso corpo e nossa mente estão em harmonia.

Certas doenças têm início no corpo e reverberam na mente ou na alma. Outras têm início na mente ou na alma e reverberam no corpo. Não há, portanto, doenças físicas ou psíquicas isoladamente e sim doenças psicofísicas ou psicossomáticas.

Os males que têm início no corpo são mais fáceis de serem identificados, suportados e tratados. Os males que se iniciam na mente ou na alma são mais difíceis de serem diagnosticados, suportados e tratados.

Por exemplo, quando quebramos uma perna, quebra-se também o nosso equilíbrio psíquico. A perna quebrada traz consequências para o desenrolar de nossas atividades diárias e isso pode nos levar à tristeza e até à depressão, caracterizando assim um problema psicossomático. Inversamente, um estado de tristeza, pessimismo ou negativismo pode causar a paralisia de uma perna, passando a ser um problema psicossomático.

A medicina tradicional, de tradição positivista e, portanto reducionista, tem a pretensão de diagnosticar e tratar das doenças humanas partindo sempre da premissa de que as doenças sempre começam no corpo, como se este pudesse existir separado da mente ou da alma. E aí está seu grande equívoco. Hoje são bastante conhecidos outros enfoques da medicina, tais como a homeopatia, a medicina holística e a antroposófica que tratam o homem como um todo psicossomático.

Essas correntes de medicina apoiam-se numa filosofia segundo a qual o ser humano se constitui numa totalidade psicossomática, ou seja, seu corpo ou o “soma” existe numa unidade inseparável com sua alma ou a psiquê. Assim, tudo que acontece num desses polos ressoa no outro, tornando mais complexo identificar as causas e mesmo tratar os seus males. Não há como isolar esses polos a não ser no nível da abstração, mas aí se perde o homem como ele é, ou de modo concreto.

Do mesmo modo essa filosofia considera que cada indivíduo não é um átomo isolado do mundo e dos outros indivíduos que o cercam. Existimos sempre em interação com o meio físico e com o meio social. E é nessa interação que vamos sendo o que somos.

Essa filosofia considera também que as leis da natureza são dinâmicas ou dialéticas. Elas se compõem de energia positiva e energia negativa e é essa polaridade que permite seu desenvolvimento. Tudo existe num eterno movimento, possibilitado pela interação das forças contrárias que estão na estrutura contraditória do mundo. Basta olharmos a nossa volta para vermos como isso é verdade: a lâmpada se acende pela interação da energia positiva e a negativa, a planta se desenvolve pela interação do sol e da
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* Maurilio Nogueira da Silva, Mestre em Psicologia Educacional, Prof. da UFJF
E Mail nmaurilio@yahoo.com.br


chuva, o seres vivos se multiplicam pela interpenetração do macho e a fêmea e até mesmo o pensamento e as idéias se desenvolvem ao interagirem com outros pensamentos e idéias contrárias ou graças às contradições que vão aparecendo em seu interior.

Nesse sentido, as chamadas ciências naturais já deram grandes passos na direção de compreender como as leis da química, da física, da biologia se manifestam no nosso corpo em sua interação com todo o ecossistema que nos envolve.

Por outro lado, as chamadas ciências humanas e sociais têm apresentado também importantes estudos na área da antropologia, da sociologia, da psicologia, da psiquiatria, da parapsicologia e outras áreas afins, com importantes conclusões sobre a vida humana.

Superando o dualismo corpo-alma, existem hoje importantes estudos que vêm confirmando o fato de que o homem é uma unidade psicossomática, que resulta da interação das forças da natureza ou materiais com as forças sociais e as forças psíquicas ou interiores, que passam a dirigir sua vida.

Assim, as pesquisas científicas apontam, cada vez mais, para a importância de que o homem tome consciência de fazer parte da natureza e do meio sócio-histórico ou cultural onde ele desenvolve seu ser físico e psíquico.

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