sábado, 29 de agosto de 2009

Algumas reflexões em torno da palavra Ruptura

Maurilio Nogueira da Silva *

A vida constitui-se de sucessivas e inevitáveis rupturas. Cada ser humano começa a existir no útero da mãe graças à ruptura do hímen que permite a passagem da semente do homem para dentro da mulher. A seguir essa semente fecundada vai sofrendo sucessivas rupturas e bipartições e assim vamos sendo feitos de ruptura em ruptura. Ao nascermos fazemos a ruptura com o cordão umbilical nos liga mãe . Mais tarde, rompemos com nossa família, nossa casa, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, nosso estado, nosso país, nosso continente e alguns chegam a romper até mesmo com o planeta e buscam viver em outros mundos. Nem mesmo os vegetais escapam a essa sucessão de rupturas. Se a semente não sofrer uma ruptura, abrindo-se para deixar sair o broto, não se transformara numa nova planta. E se a planta não romper com a terra que lhe cobre não continuará viva.

E assim, toda a vida é uma sucessão de rupturas. Rompemos com amizades, rompemos com namoros casamentos, rompemos com empregos, rompemos com estilos de vida, rompemos com idéias e crenças, sempre que estes se tornam inadequados à nossa caminhada pela vida.

Por mais que se tente evitar as rupturas chega a hora dela com todas as suas consequências. Impérios e modelos de sociedades que pareciam eternos, ao acumularem contradições, sofrem rupturas e dão lugar a outros que lhes sucedem. É a lei da vida.

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*Professor da Universidade Federal de Juiz de Fora
E. Mail: nmaurilio@yahoo.com.br

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